CPBC . VINTE E DOIS

O número 22 encerra qualquer coisa de etéreo, da observação do mundo com atenção ao detalhe e expede para outros planos almejando a imperfeita perfeição, os sonhos e os conceitos.

 

O número 22 é também o número de anos que completa a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo (CPBC) e curiosamente não sendo necessário ser-se especialista em numerologia, é possível estabelecer paralelo entre este número e a data que assinala a concretização da visão artística, da longanimidade mas também da resiliência, da Arte e do Engenho desta companhia, que é Portuguesa, que é de Bailado, que é Contemporânea e que persiste e resiste há mais de duas décadas. Uma combinação que só por si se constitui como um feito notável num panorama nacional em que a Arte e a Cultura não ocupam, lamentavelmente, o espaço que merecem e que deveriam ocupar, não obstante o que preconiza o artigo 78º da Constituição Portuguesa onde se pode ler que: “Todos têm direito à fruição e criação cultural (…).”

 

Patrícia Henriques, Rita Judas, Rita Reis, Vasco Wellenkamp, Liliana Mendonça, Cláudia Sampaio, Susana Lima

 

A CPBC foi fundada em 1998 e nasceu do sonho, da visão e do contexto estético-poético dos seus fundadores Vasco Wellenkamp e Graça Barroso, nomes maiores da História da Dança em Portugal, ambos na linha do Ballet Gulbenkian. Wellenkamp criou a maior parte do repertório da companhia e pela sua mão muitos foram os bailarinos que se formaram e os coreógrafos que que ali iniciaram carreira. A CPBC integrou ao longo destas duas décadas de existência muitos jovens bailarinos que na sua diversidade e singularidade garantiram e continuam a garantir em palco performances de excelência, apuro técnico obviamente, condição sine qua non, mas bem mais do que isso, interpretações com alma, com coração e com inevitabilidade. Afirmou-se assim e também como um complemento de formação, uma plataforma e um laboratório coreográfico onde jovens profissionais têm podido desabrochar e experienciar as suas próprias criações. Ao longo destes 22 anos de existência, vários destes bailarinos seguem no presente outras vias onde e com excelência, partilham o seu saber e experiência com novas gerações de futuros bailarinos assegurando uma cadeia de transmissão, forte, competente mas sobretudo e não menos relevante, honesta.

 

A CPBP poderia, num primeiro momento, ser enquadrada no que habitualmente se perceciona como uma companhia de autor, todavia e na realidade ao longo da sua existência afirmou-se como uma companhia de repertório, versátil e capaz de se adaptar a novas abordagens e a novas linguagens que dança com a mesma paixão e proficiência sem contudo perder o legado da sua génese que é uma assinatura de reconhecido e incontestado valor. Nesse sentido foi e é verdadeiramente importante porque pioneira também ao apresentar um núcleo duro constituído por um naipe de mulheres cujo contributo não pode nem deve ser esquecido; Liliana Mendonça (que também asseguraria a direção da Companhia entre 2008 e 2010), Cláudia Sampaio, Susana Lima, Rita Reis, Rita Judas e Patrícia Henriques fazem parte do ADN da CPBC. Em 22 anos de existência foram muitos os exemplos do sucesso e do merecido aplauso que projetou a CPBC em contexto nacional e internacional; Danças Portuguesas na Expo 98; Vozes de crianças em 2000; Sinfonia de Requiem, com estreia no Teatro Tivoli; A lua vai pelo céu com um rapaz pela mão, sobre a poética de Lorca, em 2003; Amaramália de Wellenkamp que em 2004 estrearia em Nova Iorque com enorme sucesso; Cherché, Trouvé, Perdu de Patrick Delcroix; Edzer de Benvindo Fonseca com as Batucadeiras e, Na Substância do Tempo, no centenário de Sophia de Mello Breyner Andresen, o mais recente sucesso no Teatro Camões repetido no CCB em 2019, são apenas alguns dos títulos e referências de espetáculos que quantos tiveram o privilégio de assistir, terão certamente gravado na memória e que se constituem seguramente como património coreográfico e artístico de relevância.

 

A Arte é um espaço de liberdade e o contributo da CPBC ao longo desses 22 anos é uma afirmação dessa liberdade que deve ser escutado com atenção e que importa acarinhar e preservar.

 

Posicionando-me como público, o meu sincero agradecimento pela excelência artística que a CPBC tem proporcionado e os votos de que a constante procura pela inovação, ancorada em fundações sólidas, seja garante de perseverante afirmação de criação artística e que prossiga com reafirmado sucesso nos anos vindouros.

 

Desejo por fim, que o Blog que agora se apresenta e que muito me honra estrear, seja mais um espaço de diálogo, de cultura e de aproximação entre a CPBC e o público. Que este seja também um espaço de partilha, de questionamento e de elevação e que possa espoletar curiosidade e interesse.

 

– Vera Amorim
22 . Outubro . 2020

Só e por coincidência, escrevo este texto em que dia?  … 22 !!!

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